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Internacional

08/12/2018 ás 07h55

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Daiane Lima

Bom Jesus do Sul / PR

Protestos reúnem milhares de pessoas em Paris sob cerco da polícia
A Torre Eiffel e outros pontos turísticos do centro de Paris estão fechados por conta das manifestações.
Protestos reúnem milhares de pessoas em Paris sob cerco da polícia
Manifestantes, os "coletes amarelos", carregam a bandeira francesa com as datas que marcaram a história do país, acrescentando 2018 por causa dos protestos contra o governo Macron, durante manifestação na Champs Elysees, perto do Arco do Triunfo, neste sá

Milhares de manifestantes, chamados de "coletes amarelos", fazem protesto pelas ruas de país neste sábado (8) pelo quarto final de semana consecutivo.


A tensão aumentou perto da Champs Elysees, onde a polícia jogou gás lacrimogêneo contra os manifestantes, que enfrentaram a polícia gritando "Macron renúncia!", segundo a AFP.


A polícia disparou bombas de gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes em uma rua adjacente à Champs Elysees, perto do Arco do Triunfo.


De acordo com o primeiro-ministro, Édouard Philippe, até as 8h (horário de Brasília), 481 pessoas haviam sido detidas, das quais 211 ficaram sob custódia. Philippe presidiu na manhã deste sábado uma reunião com os responsáveis de segurança no Ministério do Interior, entre eles o ministro da pasta, Christophe Castaner.


Em entrevista ao canal "BFMTV", a porta-voz da polícia, Johanna Primevert Primevert disse que havia cerca de 1.500 manifestantes na Champs-Élysées e centenas na praça da Bastilha e em Porte Maillot, perto do Palácio do Congresso.


Pela primeira vez em mais de 40 anos, as forças da ordem em Paris contam com 12 blindados da gendarmaria (uma das forças militares encarregada da segurança do Estado francês) que podem ser utilizados para atravessar barricadas.


A Torre Eiffel e outros pontos turísticos do centro de Paris estão fechados por conta das manifestações. Lojas também não abriram as portas por medo de saques que aconteceram em outros dias de protesto.


As áreas mais sensíveis por serem pontos de concentração dos "coletes amarelos", como o bairro da Champs-Élysées, as praças da República e da Bastilha, foram fechadas para o tráfego desde o início da manhã.


Grandes museus, como o Louvre, assim como lojas de departamento, diversos mercados e estabelecimentos públicos também não estão funcionando, além de aproximadamente 40 estações de trem e metrô.


Cerca de 89 mil policiais foram mobilizados em todo o país. Desses, 8 mil estão alocados em Paris, para evitar as cenas da última semana, que contou com carros incendiados e com o Arco do Triunfo pixado com frases contra o presidente Emmanuel Macron.


Segundo a agência EFE, antes dos protestos começarem neste sábado, as autoridades da França detiveram mais de 270 pessoas para impedir preventivamente incidentes violentos durante as manifestações.


As detenções foram sobretudo de grupos suscetíveis em protagonizar atos de violência ou por possuírem objetos que possam ser utilizados para esse fim, mas eles não devem necessariamente ficar presos após feitas as inspeções.


O ministro do Interior, Christophe Castaner, justificou que as prisões são para impedir que se repitam os distúrbios ocorridos há uma semana: "Tivemos que dar uma resposta forte".


Castaner, em entrevista ao canal "BFMTV", pediu aos "coletes amarelos" que querem fazer valer suas reivindicações "que não se misturem" com os manifestantes violentos, pois "a violência nunca será uma forma de protesto".


Ele também disse que "o governo estendeu a mão" com a disponibilidade para o diálogo e medidas como a suspensão do aumentos dos impostos sobre o combustível que estava programado para janeiro: "Agora é preciso sentar à mesa e discutir".


O primeiro-ministro, Édouard Philippe, recebeu na sexta-feira à noite uma delegação de sete "coletes amarelos livres", um grupo que se reivindica como moderado e que pediu aos seus seguidores que não viajassem para Paris.


Confrontos


No sábado (1º), houve confronto dos manifestantes com a polícia na Avenida Champs-Elysées, em Paris, que deixou 130 feridos e mais de 400 detidos. Cerca de 136 mil saíram às ruas naquele dia.


Aumento cancelado


Os protestos foram mantidos apesar de o governo ter anunciado na quarta-feira (5) que desistiu de aumentar os impostos de combustíveis. Inicialmente, a medida seria suspensa por seis meses, mas depois o primeiro-ministro francês, Édouard Philippe, disse que o aumento não entraria no projeto orçamentário de 2019.


Segundo a imprensa francesa, o presidente Emmanuel Macron tomou a decisão após perceber que a primeira proposta não foi bem recebida pelos "coletes amarelos".


O movimento


Os protestos começaram em 17 de novembro em oposição ao aumento dos impostos sobre os combustíveis, mas, desde então, se tornaram um amplo movimento contra a política econômica e social do presidente Emmanuel Macron.


O governo, encurralado pelas ruas, suspendeu o imposto sobre combustíveis e congelou os preços da eletricidade e do gás durante o inverno.


No entanto, para os "coletes amarelos", que ampliaram suas reivindicações, essas concessões foram insuficientes. Contam também com o apoio da maioria dos franceses (68%, segundo a última pesquisa).


Muitos dos "coletes amarelos", chamados assim pelo adereço fluorescente de segurança que usam, se manifestam pacificamente, mas alguns se radicalizaram. Membros de grupos de extrema direita e de extrema esquerda aproveitam os protestos para enfrentar a polícia, às vezes de forma brutal.


Alguns membros do coletivo fizeram um chamado a não participar de manifestações em Paris para evitar mortes. Até o momento, não foram registradas vítimas diretas, mas quatro pessoas perderam a vida em acidentes relacionados com os protestos.


Algumas embaixadas, como a de Estados Unidos, Bélgica e Portugal, aconselharam seus cidadãos a adiar suas viagens e pediram aos residentes na França a aumentar as precauções.


 

FONTE: G1

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