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Política

08/12/2018 ás 08h46

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Daiane Lima

Bom Jesus do Sul / PR

Onyx diz que sempre combateu corrupção e que não teme ''caneta Bic'' de Bolsonaro
Futuro ministro investigado por caixa 2 afirmou em SP que ninguém vai vê-lo 'envolvido com corrupção'. Em entrevista, Onyx se irritou com pergunta sobre motorista de Flávio Bolsonaro.
Onyx diz que sempre combateu corrupção e que não teme ''caneta Bic'' de Bolsonaro
O futuro ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, participa de evento com empresários, em São Paulo — Foto: Aloisio Mauricio/ FotoArena/Estadão Conteúdo

Investigado por suposto recebimento de caixa 2, o futuro ministro da Casa Civil, deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), afirmou na sexta-feira (7), em São Paulo, que nunca teve "nada a ver com corrupção", que ninguém nunca vai vê-lo "envolvido com corrupção" e que não tem medo da "caneta Bic" do presidente eleito Jair Bolsonaro.


Em uma entrevista coletiva concedida ao final do encontro com empresários na capital paulista, o futuro ministro se irritou com um repórter após ser questionado sobre operações suspeitas de R$ 1,2 milhão apontadas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) envolvendo o motorista do senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho do presidente eleito.


Após reclamar da pergunta e da atuação do Coaf, ele abandonou a coletiva. Mais cedo, aos discursar no evento com os empresários, ele havia solicitado uma "trégua" com a imprensa.


“Eu sempre fui um combatente da corrupção. Nunca ninguém vai me ver envolvido com corrupção", enfatizou aos repórteres ao ser indagado sobre as denúncias de que recebeu caixa 2 do grupo J&F.


Onyx foi citado em depoimentos de acordo de delação premiado de executivos do grupo J&F. Delatores da holding dos irmãos Batista entregaram à Procuradoria-Geral da República (PGR) uma planilha que, segundo os colaboradores, comprova que o futuro ministro recebeu repasse de R$ 100 mil por meio de caixa 2 em 2012.


Em apuração prévia, a partir de delação premiada do grupo J&F, a PGR analisa se houve repasse de caixa dois a Onyx e a outros políticos. Ao final da apuração prévia é que o Ministério Público decidirá se abre inquérito ou arquiva o caso.


Na última terça (4), o ministro Luiz Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o fatiamento da delação de executivos do grupo J&F e mandou instaurar procedimentos individuais de apuração de citações a dez parlamentares nos depoimentos dos delatores, entre os quais Onyx.


“Agora, com a investigação autônoma, eu vou poder esclarecer isso tranquilamente [denúncia de caixa 2], porque eu nunca tive nada a ver com corrupção", disse o parlamentar gaúcho, responsável pela transição do novo governo.


"A gente não pode querer ser hipócrita de querer misturar um financiamento e o não registro do recebimento de um amigo. Esse erro eu cometi e sou o único que teve coragem de reconhecer", complementou o futuro ministro.


Caneta 'Bic'


Onyx Lorenzoni também disse aos jornalistas nesta sexta que não tem medo de ser "canetado" pelo presidente eleito Jair Bolsonaro em razão de denúncias de caixa 2.


Na quarta-feira (5), ao ser questionado por repórteres sobre a autorização do STF para investigar o futuro ministro da Casa Civil, o presidente eleito Jair Bolsonaro afirmou que vai "usar caneta" se houver "denúncia robusta" contra Onyx.


"Eu gosto tanto da caneta Bic dele que eu subscrevo a declaração dele [Jair Bolsonaro]", ironizou o futuro chefe da Casa Civil.


No mesmo dia em que Bolsonaro deu o alerta para Onyx, o vice-presidente da República eleito, general Hamilton Mourão (PRTB), havia dito que é "óbvio" que Onyx "terá que se retirar do governo" caso seja comprovado o envolvimento do deputado em irregularidades.


“Uma vez que seja comprovado que houve a ilicitude é óbvio que o ministro Onyx, ele terá que se retirar do governo, mas por enquanto é uma investigação e ele prossegue aí com as tarefas dele. Nada mais do que isso", disse Mourão em um evento em Belo Horizonte.


Motorista de Flávio Bolsonaro


Em meio à entrevista, Onyx Lorenzoni foi indagado pelos jornalistas sobre o relatório do Coaf que identificou operações suspeitas por um ex-motorista de Flávio Bolsonaro. Ao responder, o futuro ministro afirmou que o caso "seguramente será sepultado com a verdade" e, após falar, encerrou abruptamente a coletiva.


"A gente precisa saber separar o joio do trigo. Neste governo é trigo, não dá para achar que esse governo vai ser igual ao do PT. Não é e nunca vai ser. A turma do mal está do lado de lá. O problema é que a aliança ideológica que se construiu no Brasil faz com que vocês queiram misturar um governo decente, que está apenas no seu alvorecer, com a lambança que o PT fez por 14 anos”, declarou.


"O presidente [Bolsonaro] é um homem que não teme a verdade assim como eu não temo a verdade. A pergunta é onde que estava o cofre do mensalão”, acrescentou.


Quando questionado sobre a origem do dinheiro do motorista, Onyx disse que não é um investigador e devolveu a pergunta ao repórter: "Quanto o senhor recebeu esse mês? Essa pergunta não tem a menor relevância", disse o futuro ministro, antes de se retirar da entrevista.


Reformas


Mais cedo, na conversa com empresários, Onyx Lorenzoni afirmou que o governo eleito deverá ter muita cautela na condução das reformas dentro do Congresso Nacional a partir do próximo ano. Ele destacou ainda que o esforço que o governo terá que fazer para alcançar o equilíbrio fiscal será "gigantesco" e que reformas, como a da Previdência, serão feitas pela próxima gestão.


"Temos que saber que teremos uma maratona de quatro anos pela frente, e não uma corrida de 100 metros", observou o futuro ministro da Casa Civil ao comentar dúvidas dos convidados em torno da governabilidade do governo Bolsonaro.


Onyx acrescentou que maiores detalhes sobre reformas, como a tributária, ficam por conta de seu "guru", o futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, que não compareceu ao evento por conta de uma gripe.


O futuro chefe da Casa Civil também destacou que o governo eleito precisa da oposição. "Ela é o contrapeso da vida democrática. A oposição vai nos mostrar quando a gente erra e a gente corrige, porque humildade o governo de Bolsonaro tem."

FONTE: G1

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