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Política

11/01/2019 ás 10h05

Daiane Lima

Bom Jesus do Sul / PR

Flávio Bolsonaro não comparece ao MP-RJ para depor sobre relatório do Coaf
Em nota, senador eleito diz que, como não é investigado, compromete-se a marcar dia e horário para apresentar os esclarecimentos. Ele pediu acesso aos autos do caso Queiroz.
Flávio Bolsonaro não comparece ao MP-RJ para depor sobre relatório do Coaf
Fabrício Queiroz em foto com o deputado Flávio Bolsonaro — Foto: Reprodução/TV Globo

O deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro (PSP-RJ) não compareceu na quinta-feira (10) ao Ministério Público do Rio de Janeiro para depor sobre a movimentação financeira atípica de funcionários do seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) registrada em relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).


Na terça-feira (8), familiares de Fabrício Queiroz – ex-motorista e assessor de Flávio e que movimentou em sua conta R$ 1,2 milhão, segundo o Coaf – também não foram ao Ministério Público.


Em publicação nas redes sociais no início da tarde desta quinta, o senador eleito afirma que foi notificado apenas na segunda-feira (7) e que tem todo o interesse em esclarecer o caso, apesar de não ser investigado por qualquer crime. Como portador de foro privilegiado, ele pode escolher data, horário e local.


"Como não sou investigado, ainda não tive acesso aos autos, já que fui notificado do convite do MP/RJ apenas no dia 7/Jan, às 12:19. No intuito de melhor ajudar a esclarecer os fatos, pedi agora uma cópia do mesmo para que eu tome ciência de seu inteiro teor", diz o comunicado.


"Ato contínuo, comprometo-me a agendar dia e horário para apresentar os esclarecimentos, devidamente fundamentados, ao MP/RJ para que não restem dúvidas sobre minha conduta. Reafirmo que não posso ser responsabilizado por atos de terceiros, como parte da grande mídia tenta, a todo custo, induzir a opinião pública."



Em nota, o Ministério Público informou que Flávio Bolsonaro pediu nesta quinta uma cópia integral da investigação. Segundo o órgão, a solicitação do deputado estadual foi feita em resposta ao ofício encaminhado em 21 de dezembro à presidência da Alerj pelo procurador-geral de Justiça.


O MP confirma que Flávio Bolsonaro informará local e data "para prestar os devidos esclarecimentos que porventura forem necessários" e esclarece que as investigações prosseguem com a realização de investigações sigilosas e depoimentos de outras pessoas relacionadas aos fatos.


Caso Coaf


O documento do Coaf foi anexado à investigação que resultou na Operação Furna da Onça, desdobramento da Lava Jato no Rio de Janeiro que prendeu dez deputados estaduais.


Além do gabinete de Flávio Bolsonaro, funcionários de outros 21 deputados também apareceram no relatório do Coaf. A movimentação financeira total entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017, segundo o documento, foi de mais de R$ 207 milhões.


No total, foram identificados 75 servidores e ex- servidores da Alerj que apresentaram movimentação financeira suspeita registrada em contas de suas titularidades.


Além disso, foram citados neste relatório outros 470 servidores e ex- servidores da assembleia na condição de remetentes ou destinatários de recursos.


Familiares de Queiroz não vão ao MP-RJ


Na terça, a mulher e duas filhas de Queiroz seriam ouvidos pelo Ministério Público do Estado do Rio, mas não compareceram para depor.


Elas estão em São Paulo para acompanhar o pós-operatório da cirurgia para a retirada de um tumor maligno à qual Queiroz se submeteu no Hospital Albert Einstein, segundo o advogado da família.


Ao Ministério Público, a defesa do ex-assessor informou que "todas mudaram-se temporariamente para cidade de São Paulo, onde devem permanecer por tempo indeterminado e até o final do tratamento médico e quimioterápico necessários, uma vez que, como é cediço, seu estado de saúde demandará total apoio familiar".


Queiroz recebia da Assembleia Legislativa um salário de R$ 8.517 e acumulava rendimentos mensais de R$ 12,6 mil da Polícia Militar. Ele foi exonerado do gabinete de Flávio na Alerj em outubro.


O documento também aponta que Queiroz repassou R$ 24 mil para Michelle Bolsonaro, então futura primeira-dama.


Sobre este pagamento, o presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), afirmou que era a quitação de um empréstimo de R$ 40 mil feito por ele ao ex-motorista.

FONTE: G1

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