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Sepultura é proibido de fazer show no Líbano, após ser acusado de fazer 'adoração ao demônio'

Banda brasileira diz que 'não recebeu nada formal pelas autoridades do Líbano' e mantém a esperança de tocar no país. Apresentação do grupo de metal seria no dia 28 deste mês.

26/04/2019 07h46
Por: Daiane Lima
Fonte: G1
Derrick Green, do Sepultura — Foto: Luciano Oliveira/G1
Derrick Green, do Sepultura — Foto: Luciano Oliveira/G1

Um show da Sepultura no Líbano foi cancelado após a banda ter sido acusada de “adoração ao demônio”, de acordo com a produtora Skull Session, que promovia o evento. A banda de heavy metal se apresentaria em Beirute no próximo dia 28.

Os organizadores do show não desistiram de fazer com que a banda possa se apresentar, apesar de existirem poucas possibilidades de as autoridades permitirem a entrada dos músicos no país.

"Ainda não conseguimos cancelar a proibição, mas seguimos tentando, embora as possibilidades sejam mínimas", disse Bassel Deaibess, à Agência Efe. Ele é um dos fundadores da Skull Session.

Deaibess acrescentou que a "ordem de proibir a entrada do Sepultura no Líbano foi dada pelo chefe da Segurança Geral, que é a máxima autoridade neste sentido".

A banda disse que não recebeu uma proibição oficial. "Como não recebemos nada formal pelas autoridades do Líbano, contatamos a embaixada brasileira local que está sendo super solícita com a gente, para que possamos entender de fato o que está ocorrendo", disse a produção do Sepultura.

Vistos negados por 'insultar cristãos'

A produtora havia informado que os integrantes do Sepultura - Paulo Jr., Andreas Kisser, Derrick Green e Eloy Casagrande - tiveram suas solicitações de vistos negadas.

O motivo foi por "insultar os cristãos, serem adoradores do diabo, terem realizado um show em Israel e terem gravado um vídeo em apoio a esse país". O Líbano não reconhece o Estado de Israel e não tem relações ele, que é considerado "inimigo".

"Queremos esclarecer que as acusações são totalmente falsas. O grupo não tocou em Israel e o videoclipe critica o racismo desse país, mas sem nomeá-lo, e nele os membros do grupo tomam chá com árabes", disse o promotor do evento.

No vídeo da canção "Territory", lançado em 1993, há imagens de Israel, da bandeira do país e de seus soldados, mas o grupo mantém uma postura crítica com relação à nação judaica e de apoio aos palestinos.

Sobre as acusações de insultar a religião cristã, a Skull Session ressaltou que o Sepultura "não adota nenhuma ideologia ou demonstra afinidade com qualquer pensamento".

"Ao contrário, através de suas canções, pede que as pessoas se voltem para Deus, rejeita uma sociedade automatizada e anormal, e, por isso, alguns os consideram adoradores do diabo", acrescentou a produtora.

Por outro lado, um organizador do evento associado à Skull Session disse à Agência Efe que a apresentação do grupo coincidiria com a celebração da Páscoa por parte dos cristãos libaneses, e, por isso, a comunidade religiosa pediu que o grupo fosse impedido de entrar no país.

O Sepultura se apresentaria com três grupos locais - Phenomy, World in Silence e Eden - e está previsto que o evento aconteça mesmo sem a banda brasileira.

Em 2016, as forças de segurança egípcias impediram a realização de um show do Sepultura pouco antes de seu início nos arredores do Cairo, argumentando que a banda não tinha documentos. Além disso, meios de comunicação locais classificaram os músicos da banda como "adoradores de satã".

 

 

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