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Deputados de pantufa em Barracão? Deputados não precisam pisar na fronteira para despejar emendas no município

Discurso de plenário tenta culpar parlamentares de fora, mas realidade dos bastidores mostra que recursos só chegam com projeto na mão

10/10/2026 às 07h24
Por: Marcos Prudente Fonte: PAN/WEB
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Deputados de pantufa em Barracão? Deputados não precisam pisar na fronteira para despejar emendas no município/Foto: Ilustrativa - Criada por IA
Deputados de pantufa em Barracão? Deputados não precisam pisar na fronteira para despejar emendas no município/Foto: Ilustrativa - Criada por IA

A sessão da Câmara de Vereadores de Barracão ferveu com o desabafo dos vereadores sobre a chamada bancada da pantufa, aqueles parlamentares que arrebanham votos no município sem pisar o pé na cidade. Quem abriu a falação foi o vereador Leandro Hahn, com a bagagem de trinta anos na lida e três mandatos nas costas, alertando que candidatos que ele nunca ouviu falar na vida estouraram na urna municipal. Hahn e a mesa debateram o caso do fenômeno Guilherme Kilter, eleito deputado estadual puxando votação expressiva puramente pelas redes sociais, com votos faturados direto da tela do computador. Na mesma toada, o vereador Renan Vanin, o popular Cuié, agradeceu os mais de mil e duzentos votos garantidos para Ademar Traiano e Paulo Litro, mas lamentou ver mais de cento e cinquenta deputados picando votos em Barracão. Segundo Cuié, a maioria desses aventureiros virtuais nunca vai pisar o pé na fronteira e nem sabe onde fica o município, deixando a conta dos recursos locais restrita a uma dúzia de nomes que realmente trazem algo.

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Entrando na dissecação desse cenário, eu, Marcos Prudente, coloco o dedo na ferida para separar o choro de plenário da função real de quem se elege. O papel central de deputados e senadores em Brasília e Curitiba não é vir fazer sala no interior, mas sim aprovar leis que afetam diretamente o bolso, os direitos e a rotina do cidadão barraconense. Se o parlamentar vota a favor da população nas matérias de peso, a representação já cumpre a parte dela. Voto aleatório é direito legítimo do eleitor e não cabe a liderança política ficar de choradeira. Agora, verba e emenda parlamentar não caem do céu por milagre. Se Jeffrey Chiquini, a quem eu defino abertamente como um bravateiro de primeira linha na tribuna, conquistou mais de quatrocentos e sessenta mil votos no Paraná e arrastou mais de quatrocentos votos em Barracão, cabe à classe política local deixar a vaidade de lado, bater na porta do gabinete dele em Brasília e exigir a contrapartida em obras e investimentos para o município.

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Essa postura de bastidor é o que sempre definiu o meu trabalho político na fronteira. Lá atrás, em 2014, quando o deputado federal Aliel Machado ainda militava pelo PCdoB e se elegeu com mais de oitenta mil votos, ele não tinha presença em Barracão. Mais tarde, quando Aliel já estava na Rede Sustentabilidade, legenda que eu presidia no município, nós fomos atrás do gabinete via e-mail oficial para destravar apoio. Como a resposta demorou, aproveitei a viagem do então prefeito Marco Aurélio Zandoná a Brasília e cobrei dele que fizesse o meio de campo pessoalmente no gabinete de Aliel. O prefeito topou, ligou para mim de lá e abriu a ponte que trouxe o parlamentar até a prefeitura. O resultado prático foi imediato: emenda de cem mil reais para a saúde, veículo na garagem do município, materiais esportivos e o atendimento ao projeto do campo da Palmeirinha tocado pelo Fernando Lara, que ainda não saiu do papel por questões de política local e na época secretário de Esportes. Houve divergência depois com o Fernando, mas superada na base da hombridade, porque a briga partidária não pode travar o benefício do povo.

A prova de que a cobrança contínua gera frutos é que Aliel Machado recebeu o nosso apoio em 2018, fazendo cento e seis votos em Barracão e mantendo o envio de emendas. Mais tarde, mesmo depois de eu declarar meu posicionamento aberto à direita e apoio a Jair Bolsonaro, Aliel seguiu nos respeitando e mandando recursos a pedido do nosso grupo e posteriormente atendendo demandas de Lara. Esse diálogo institucional firme precisa estar acima de divisões ideológicas. Quando busquei construir minha candidatura a prefeito pelo PTC, esbarrei na barreira das velhas raposas dos grandes partidos, que não abrem espaço para ninguém de fora. Acabei marchando na coordenação e apoiando Vanderlei Centenaro, onde iriamos disputar voto a voto contra o Jorge, mas as manobras internas empurraram a nossa chapa para o terceiro lugar. Fazer política na fronteira exige casca grossa para encarar acordos quebrados e disputas duras sem perder o foco na cidade.

O mesmo trabalho de bastidor foi feito com Filipe Barros, hoje senador eleito pelo Paraná. Em 2018, quando ele ainda engatinhava na política estadual pelo PSL, fez apenas dez votos em Barracão e nenhum vereador da época tinha contato com ele. Eu enxerguei potencial, fiz entrevista com o parlamentar e me comprometi a construir voto para ele na cidade. Pedi apoio, gravei vídeo e a resposta veio nas urnas seguintes com cento e cinquenta e dois votos. Quando os pais do bairro Pinheirinho vieram me procurar relatando que o saguão da Escola Eurílemo estava comtelhado danificado, fui até a diretoria, procurei a administração e telefonei direto para o Filipe Barros pedindo socorro. Ele garantiu na hora até duzentos mil reais em emenda parlamentar para a troca da cobertura, desde que o município fizesse a parte dele no protocolo. Levei o ofício ao gabinete da prefeitura e, mais tarde, o vice-prefeito Hercílio esteve com Barros em Londrina mantendo a conversa aberta. Se a obra travou nos trâmites burocráticos ou por picuinhas, a verba foi garantida porque houve quem fosse cobrar, mas se não chegou, aí a culpa é do administrador que prefere ver goteiras do que resolver o prblema.

Reclamar de quem colheu voto pela internet, como Guilherme Kilter ou Jeffrey Chiquini, é pura dor de cotovelo de quem parou no tempo. O eleitor de Barracão é livre para escolher quem quiser nas redes, seja por militância ou por identificação com as pautas. Cabe aos vereadores que hoje choram na tribuna arregaçar as mangas, usar telefone e internet, montar pastas com projetos sérios e bater nos gabinetes em Brasília e Curitiba cobrando a fatura. Quem se elege tem obrigação de votar leis a favor da nossa região, e quem tem mandato na Câmara de Barracão tem o dever de correr atrás do dinheiro, porque o progresso da fronteira não nasce em discurso bonito, mas sim em articulação de bastidor.

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