
A negociação em andamento para desocupar o prédio do antigo Café Colonial, às margens da rodovia 163, colocou em debate direto o futuro do planejamento urbano e da arrecadação de Barracão/PR. A pressa da administração municipal em fechar um acordo para transferir famílias indígenas da etnia Kaingang decorre da instalação de uma unidade da Cotrasa, concessionária autorizada da Scania, com previsão de gerar cerca de vinte empregos diretos em vendas de caminhões e oficina pesada. Embora a chegada da empresa traga fôlego imediato e novos postos de trabalho, as condições do acerto levantaram forte preocupação quanto à entrega de um patrimônio público milionário para resolver uma obrigação que cabe legalmente à União e à FUNAI.
O centro da controvérsia está na área pública pretendida para o reassentamento definitivo das famílias. A gleba de aproximadamente quinze hectares, situada no prolongamento da faixa de domínio das rodovias federais e perto de entroncamentos estratégicos, possui valor de mercado entre R$ 1,2 milhão e R$ 2 milhões caso fosse negociada apenas como lavoura mecanizada. No entanto, por estar em terreno plano e com acesso direto ao fluxo pesado de cargas, o potencial da área para a instalação de hubs logísticos, barracões industriais ou entrepostos de transbordo faz a avaliação real ultrapassar com facilidade os R$ 10 milhões.
A perda definitiva dessa faixa de terra ameaça travar o único vetor viável de crescimento do município para as próximas décadas. Geograficamente, a cidade encontra barreiras naturais severas, com relevo acidentado e descidas íngremes de perau no sentido dos vales, o que inviabiliza terraplanagem e manobra de composições pesadas. A cumeada plana que segue pela rodovia em direção às linhas do interior é a única espinha dorsal por onde carretas, bitrens e transportadoras conseguem operar com segurança e agilidade, tornando essa gleba um ponto a ser considerado para a expansão de pátios e serviços comerciais.
Além do risco de engessamento territorial, o custo desse brique mal calculado reforça o descompasso econômico regional. Enquanto a vizinha Dionísio Cerqueira/SC estruturou pátios aduaneiros, atraiu escritórios de comércio exterior e ampliou a arrecadação de ISS, o lado de Barracão/PR arrisca ficar apenas com a fumaça e o desgaste de asfalto, amargando na boca do povo o apelido de favelão cerqueirense. A cobrança que recai sobre o poder público e os vereadores eleitos é para que enfrentem a pressão de pareceres de órgãos federais, recorram a deputados e senadores e defendam os bens municipais, evitando que o patrimônio de todo o povo barraconense seja rifado a toque de caixa.
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